Nova tradução do Missal em português resulta de “trabalho longo e paciente” | Diocese Bragança-Miranda

D. José Cordeiro explica à Renascença quais são as principais alterações previstas e porque razão entram em vigor a 14 de abril, Quinta-feira Santa. O presidente da Comissão Episcopal de Liturgia e Espiritualidade, que já foi entregar um exemplar do novo Missal ao Papa, faz ainda o balanço de dois meses como novo arcebispo de Braga.

A nova tradução do Missal Romano em português foi aprovada pela Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) em novembro de 2019 e validada pelo Papa Francisco no início de 2021, mas o processo só ficou concluído este ano: em fevereiro, os bispos portugueses publicaram a Nota Pastoral ‘Celebrar e viver melhor a Eucaristia’, anunciando as alterações previstas e a sua entrada em vigor no próximo dia 14 de abril. No final de março o novo Missal foi entregue ao Papa.

“O Santo Padre acompanhou os trabalhos de um modo especial a partir de 8 de janeiro de 2021, aquando da sua aprovação para as palavras sacramentais e as respostas da assembleia, e ficou muito feliz com a edição que lhe apresentámos”, avança à Renascença D. José Cordeiro, que foi recebido no Vaticano. “Foi um encontro extraordinário”, sublinha.

O arcebispo de Braga, e responsável pela Comissão Episcopal de Liturgia e Espiritualidade, diz que a nova tradução do Missal resulta de um “trabalho longo e paciente”, para já “é só para Portugal”, mas “seguir-se-á uma edição para o alargamento a Angola, Moçambique, Timor, Cabo Verde e Guiné-Bissau”, e espera-se que no Brasil a assembleia plenária dos bispos aprove as alterações “ainda durante o tempo Pascal”

Por cá, as alterações entram em vigor na próxima Quinta-feira Santa, “para que se possa já celebrar no Tríduo Pascal, que é o coração do coração do ano litúrgico”, refere D. José Cordeiro, que lembra que “a Eucaristia é o sacramento da Páscoa, e o Missal Romano é o livro litúrgico por excelência da celebração da Eucaristia”.

Na prática, o que é que muda?

Uma das alterações mais notada será na Oração Eucarística, em que “antes das palavras sacramentais, na chamada narração da instituição, o verbo que em latim se diz 'benedicere' passa a ser traduzido em português por 'bendizer', em vez de 'abençoar', uma vez que Jesus, na última Ceia, não abençoou nem benzeu o pão ou o cálice, mas dirigiu ao Pai uma oração, a bendizê-lo”, explica D. José Cordeiro, adiantando que “depois de um diálogo com biblistas, liturgistas, pastoralistas e linguistas, optámos por esta tradução, que foi votada e aprovada pela Conferência Episcopal Portuguesa, pelo Papa Francisco e depois com a emanação dos devidos decretos da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, e da própria CEP”.

Mas, há outras alterações. “No que diz respeito à assembleia, por exemplo, no ato penitencial teremos mais um gesto quando dizemos 'minha culpa, minha culpa, minha tão grande culpa', batemos três vezes no peito, tomando consciência ainda mais da nossa condição de pecadores”.

As conclusões das orações presidenciais também são diferentes. “A Oração de Coleta, aquela que vem na conclusão dos ritos iniciais, antes da Liturgia da Palavra, e que colige o espírito da celebração, quando dirigida ao Pai termina 'Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, pelos séculos dos séculos'”.

“A Oração sobre as Oblatas e a Oração Pós Comunhão têm uma conclusão simples, 'por Cristo, nosso Senhor'. Igualmente a conclusão da Oração Eucarística, o centro da celebração da Missa, reza-se desta maneira: 'Por Cristo, com Cristo, em Cristo, a Vós, Deus Pai todo poderoso, na unidade do Espírito Santo, toda a honra e toda glória, por todos os séculos dos séculos' “, refere ainda, indicando que “quem preside, também tem agora uma nova arrumação do próprio livro, na sua disposição gráfica, com as gravuras do Professor Avelino Leite, que traduzem bem o Mistério e ajudam-nos a entrar em profundidade”.

Texto: Ângela Roque/Rádio Renascença