Igreja/Cultura: Duas obras de arte contemporânea marcam diálogo na Catedral de Bragança | Diocese Bragança-Miranda

Um painel que aponta para a «reconciliação entre o humano e o divino», da autoria de Tânia Pires, e ‘A cruz da Ressurreição’ convidam fiéis e visitantes a descobrir espaços

Bragança, 08 out 2026 (Ecclesia) – A Catedral de Bragança-Miranda, que assinalou 25 anos da sua inauguração, recebe um painel com o tema da misericórdia, numa capela, que “convida cada pessoa” a entender-se “amada por Deus”.

“Esta obra convida cada pessoa, que visita este espaço, a perceber que é amada por Deus, e que é precisamente nessa ferida e no pecado, que Deus manifesta o seu amor mais profundo. Um amor que cura, um amor que reconcilia, e sem julgamento”, apresentou a artista e iconógrafa Tânia Pires, à Agência ECCLESIA.

O painel ficou colocado num espaço que é de “reconciliação entre o humano e o divino, entre a pessoa e Deus”.

“Foi criado um painel relacionado com o tema da misericórdia para esta capela, que é um espaço que está ao serviço para confissões e para a contemplação, mas não tinha nenhuma obra com a dignidade que merece”, regista.

Tânia Pires explica privilegiar “técnicas ancestrais e ecológicas”, no trabalho que desenvolve, usando “a técnica da cal, o esgrafitado ou a pintura a fresco”.

“Neste caso, para este espaço em específico, quis trabalhar o gesso, que é um material que, apesar da sua dureza e da brutalidade que se consegue, é também um material que se deixa modelar e que se deixa trabalhar”, conta.

O painel apresenta uma “ferida, a tinta vermelha”, e ouro, que indica a “luz de Deus que vem de dentro, não de fora”.

“Espero que as pessoas encontrem paz, essencialmente, paz interior, um lugar de esperança e um caminho diferente, um caminho de luz. Esse é um caminho de paz. E que reconheçam o amor de Deus nas suas vidas”, destaca.

O Padre José Ribeiro Gomes, presidente da Comissão diocesana de Arte Sacra e Bens Culturais, destaca à Agência ECCLESIA as duas obras contemporâneas, que a catedral passa a acolher.

“Desde o início que a Catedral foi construída para ser o espaço da ressurreição. Como sabemos, a morte cristã é uma festa, é uma passagem, ou deve ser, mas humanamente sabemos como ela é dolorosa. Então, nesta obra da cruz, que intitulamos a ‘Cruz da Ressurreição’, com subtítulo ‘Ó morte onde está a tua vitória’, ela quer representar isso”, conta.

 

Numa parede amarela, sobressai uma cruz, “de quatro metros por 60”, em tábuas recuperadas de uma porta de uma aldeia, Donai – “nenhuma tábua é igual uma à outra, como nós na nossa vida não somos iguais, somos todos diferentes, somos todos originais”.

“A cruz é um caminho, mas todos nós sabemos que caminho gostaríamos de seguir, mas, uma vez, andamos mais à direita e mais à esquerda, por isso, ela vai subindo com estas nuances, se quisermos, e é essa a forma que, originalmente, é dada esta cruz. Contudo, sabemos que a morte, de facto, esperamos a ressurreição, não ficamos em sexta-feira, em sexta-feira santa e, por isso, os términos da cruz, a haste cimeira e a do lado esquerdo são perfeitas, feitas agora, todas de novo, com uma particularidade, é que a sua forma, no seu tamanho, ela é tripartida, portanto, símbolo da Trindade”, regista.

O responsável dá conta do “reconhecimento” do espaço, “por fiéis, visitantes”, como um local “de cultura, de arte, que faz esse diálogo com a sociedade”.

A cidade de Bragança e oito concelhos do distrito vão Bienal de Arte Contemporânea das Terras de Trás-os-Montes – Linha da Terra, que acontece até dezembro.

“Quando idealizámos a presença destas obras, não tínhamos a referência da Bienal. De facto, depois dei-me conta e, não há nada mais que nos fale da terra, que somos nós mesmos e a morte. E, como nós dizemos no ritual, somos pó e, de novo, devemos voltar ao pó da Terra e voltar à Terra”, finaliza.

CB/LS

in Agência Ecclesia, 08.10.2026