Homilia de D. Nuno Almeida no Dia da Caridade - Senhora da Serra | Diocese Bragança-Miranda
SENHORA DA SERRA
UNÇÃO DOS DOENTES E AÇÃO DE GRAÇAS PELAS IPSS
04.09.2026
HOMILIA
Irmãos e irmãs!
Ao longo de nove dias, tanta gente aqui esteve a rezar, a cantar, a louvar, a pedir, a chorar. Tanta gente à volta da Mãe celebrando os mistérios do Seu Filho!
E nesta serra uma luz se acende. Neste santuário, muitas luzes brilham. É a luz de Jesus, uma luz oferecida pela Sua Mãe, Senhora da Serra, Senhora da Igreja, Senhora do nosso coração. É essa luz que atrai e ilumina tanta gente, também a cada um de nós.
Não há rios só de água. Há rios, muito maiores, de fé, de amor e especialmente de esperança que vêm desaguar na Casa da Mãe. Neste dia, queremos agradecer a Deus, por todos quantos se dedicam aos mais doentes e frágeis. Damos graças a Deus, pelos familiares, profissionais de saúde e voluntários, pelos visitadores e ministros extraordinários da Comunhão, pela sua bela vocação de cuidadores da vida e da fragilidade humanas.
“Da Caridade à Fé”: lema da novena. Basta saber, como todos nós sabemos, que, no regaço de Nossa Senhora da Serra, há um lugar especial para cada um, para cada um dos Seus filhos e filhas, para cada um de nós. Nossa Senhora da Serra acolhe com amor de Mãe as nossas preces, as nossas lágrimas, as nossas necessidades e as nossas alegrias e envia-nos a servir como “peregrinos de esperança”.
1.Paulo põe a verdade em cima da mesa. Ninguém é superior a ninguém pois tudo o que temos nos foi dado, não é nosso.
Enquanto os apóstolos servem o evangelho para que Cristo seja tudo em todos, muitos querem servir-se do evangelho para alcançar o lugar de prestígio que pelas suas qualidades e capacidades nem sempre conseguem alcançar. Houve sempre quem aderisse ao evangelho ou fingisse aderir, para chegar a ocupar lugares e conseguir benefícios que de outro modo dificilmente conseguiria. Servir-se do evangelho para prestígio pessoal, resulta sempre num tremendo fracasso porque o evangelho não oferece o primeiro lugar, mas a humilhação aos olhos dos homens. Aquele que anuncia, angaria para si toda a espécie de dificuldades e incompreensões que não justificam nem compensam algum prestígio que se possa alcançar. Para servir o evangelho é necessário estar disposto a suportar toda a espécie de sofrimento por Cristo.
2.O confronto entre Jesus e os fariseus é o confronto entre a lei e a misericórdia. Os fariseus conhecem a lei e para eles nada está acima da lei.
A lei cega e fria, não deixa ver o outro como um irmão. A obsessão pela lei oprime os homens e torna frios os corações e distantes as pessoas. Jesus ensina a misericórdia e coloca o homem acima da lei. Ele aproxima os corações e estreita as relações no amor. A lei cega mata, mas a misericórdia aquece os corações e permite a compaixão por aqueles que na sua vida não conseguem cumprir a lei, porque primeiro precisam de satisfazer as suas necessidades mais básicas. A compaixão abre os olhos para estender a mão aos que estão no limiar da pobreza, à beira de perder a dignidade.
3.No dia de São Francisco de Assis (04 outubro de 2025), o Papa Leão XIV assinou seu primeiro documento de magistério, intitulado "Eu te amei".
“Dilexi te” representa uma fundada esperança de que a Igreja católica, sob Leão XIV, não abandone os pobres, mas reafirme com clareza a preferência pelos que sofrem e pelos mais frágeis. O desafio será tornar essas palavras realidade no dia a dia: nas dioceses, nas paróquias, nos movimentos, na política, nos programas de caridade e serviço, nas decisões institucionais, etc. Assim acontece nas IPSS.
«Todo ser humano é um filho de Deus! Nele está impressa a imagem de Cristo! Trata-se, então, de o vermos, nós, em primeiro lugar, e de ajudar os outros a verem no migrante e no refugiado não só um problema para lidar, mas um irmão e uma irmã a serem acolhidos, respeitados e amados (…).
A Igreja, como mãe, caminha com os que caminham. Onde o mundo vê ameaça, ela vê filhos; onde se erguem muros, ela constrói pontes. Pois sabe que o Evangelho só é crível quando se traduz em gestos de proximidade e de acolhimento; e que em cada migrante rejeitado, é o próprio Cristo que bate às portas da comunidade.” (n.75).
“Uma Igreja que não coloca limites ao amor, que não conhece inimigos a combater, mas apenas homens e mulheres a amar, é a Igreja de que o mundo hoje precisa”. (n.120).
Agradeço a todos os dirigentes, colaboradores, voluntários, benfeitores e especialmente a todos os utentes. Sem esquecer as Autoridades Nacionais e Locais que apoiam as IPss.
4.O sacramento da Unção dos Enfermos fala da compaixão de Deus pelo homem no momento da doença e da velhice. A parábola do "bom samaritano" nos oferece uma imagem desse mistério. O bom samaritano cuida de um homem ferido, derramando sobre as suas feridas óleo e vinho, recordando o óleo dos enfermos. Em seguida, sem olhar a gastos, confia o homem ferido aos cuidados do dono de uma pensão: este representa a Igreja, a quem Jesus confia os atribulados no corpo ou no espírito.
Também a Carta de S. Tiago recomenda que os doentes chamem os presbíteros, para que rezem por eles ungindo-os com o óleo. De facto, Jesus ensinou aos seus discípulos a mesma predileção que Ele tinha pelos doentes e atribulados, difundindo alívio e paz. Por isso, diante daqueles que consideram o sofrimento e a morte como um tabu, deixando de se beneficiar com esse sacramento, é preciso lembrar que, na unção dos enfermos, Jesus nos mostra que lhe pertencemos e que nem a doença, nem a morte, poderá separar-nos d’Ele.
5.Há muita gente a trabalhar aqui nestes dias: Párocos, sacerdotes, diáconos, religiosas, irmãos da confraria, voluntários …! Todos os que aqui se encontram são verdadeiramente importantes.
Levemos connosco o apelo do Papa Leão XIV. O amor e a devoção filial a Maria, deve levar-nos à caridade e ao serviço e compromisso com os irmãos na família, nas paróquias, na sociedade. Sejamos pessoas que se dão, que sabem dar tempo, talentos, dar-se. Sejamos pessoas que não precisam de convidadas para ter uma presença assegurada e participativa na vida familiar, na vida da Igreja e da sociedade.
Agradeço, meus queridos irmãos peregrinos, a vossa fé, o vosso amor, o vosso testemunho. Em cada ano, a multidão que sobe a este belo Santuário da Senhora da Serra é uma permanente e grande lição e grande motivo de esperança e de alegria
Amais a Nossa Senhora Serra, mas podeis ter a certeza de que Nossa Senhora da Serra também vos ama.
O Menino que Ela traz nos braços tem o nome de Jesus. E, com esse nome, Ela transporta todos os nossos nomes. Ela anota os nossos pedidos, Ela conhece os nossos sonhos, projetos, segredos e necessidades. Obrigado por tanto. Obrigado por tudo. Obrigado sempre!
Maria, Senhora da Serra,
Tu resplandeces sempre no nosso caminho
como sinal de salvação e de esperança.
Confiamo-nos a Ti, nestes tempos de incerteza e violência,
Tu que junto da Cruz foste associada à dor de Jesus,
mantendo firme a tua fé.
Tu, Salvação do Povo de Deus,
sabes bem do que mais precisamos
e estamos seguros de que providenciarás
para que, tal como em Caná da Galileia,
possa voltar sempre a alegria e a festa do encontro.
À vossa proteção nos acolhemos,
Santa Mãe de Deus.
Não desprezeis as nossas súplicas
e livrai-nos de todos os perigos,
ó Virgem gloriosa e bendita!
Certamente que a nossa Mãe, lá no Céu, está a sorrir. Coloquemos no seu coração as nossas lágrimas. Ela, em troca oferece-nos o Seu sorriso de Mãe. Ela vai sempre convosco e aqui voltaremos sempre ao Seu regaço! Ámen!
+Nuno Almeida
Bispo de Bragança-Miranda





