Homilia de D. Nuno Almeida na solenidade do Natal do Senhor 2025 (Missa da Noite) | Diocese Bragança-Miranda

homilia na solenidade do Natal do Senhor 2025 (Missa da Noite)

Sempre que passamos da esperança a gestos de caridade: uma luz brilha nas trevas!

 

Irmãos e Irmãs!

 

1.O Natal de Jesus Cristo não é uma história mágica de encantar; nem um conto de fadas; não é uma lenda para encantar ou adocicar a realidade que, por vezes, se nos afigura tão dura, tão violenta e tão distante daquela que esperávamos. Não. Em Jesus, Deus entra no drama da nossa história, pelo seio de Maria, entra num mundo com portas e corações fechados em Belém, sem teto nem lugar para peregrinos e migrantes. Entra pela porta de um estábulo e acabará envolto em panos, no madeiro da Cruz.

Por isso, a esperança e o amor, que o Menino Jesus nos traz, não vêm embrulhados em papel com laços dourados ou em paninhos de lã; é sobretudo a confiança de que, aconteça o que acontecer, já estamos salvos, pois nada e ninguém nos poderá separar do amor de Cristo. Jamais percorreremos sós o caminho da nossa vida. Em Cristo Jesus, Deus caminha connosco e dá-nos a certeza de caminhar com Ele. Podemos, nesta noite, pedir-lhe: Deus Menino guia-nos sempre da esperança a gestos de amor e de paz!

 

2.Caríssimos Irmãos e irmãs: contemplemos, com deslumbramento e assombro, o Presépio, como berço da esperança dos pobres e dos simples.  Prestemos atenção, antes de mais, ao lugar em que Jesus nasce: em Belém, na periferia da capital. Depois voltemo-nos para Maria, Mãe da esperança. Com o seu «sim» abriu a Deus a porta do nosso mundo.  Ao lado de Maria está José, o silencioso descendente de Jessé e de David, que acreditou e esperou em Jesus, Aquele que vem para nos tornar capazes de amar. E ao Presépio correm e acorrem, como peregrinos de esperança e com as mãos carregadas de dons e de amor, os pastores, os mais humildes e pobres da terra. E não falta o coro de Anjos que, em harmonia, canta, com esperança, que a Paz está a chegar. Virão ainda os Magos guiados pela Estrela. Todos estes, peregrinos de esperança, contemplam o Deus Menino, em Belém, e veem realizada n’Ele a sua esperança! Também nós, nesta noite, podemos pedir a Jesus: Deus Menino guia-nos sempre da esperança a gestos de amor e de paz!

 

3.Queridos Irmãos e irmãs: A esperança é a virtude dos pequeninos, de todos os que sentem necessidade do amor de Deus e dos irmãos. Os grandes, os fartos e saciados, os autossuficientes, não conhecem a esperança, não sabem o que ela é. Quem confia somente nas próprias seguranças, sobretudo materiais, já não espera nada de Deus. Ao contrário, os pequeninos, os pobres, os pastores, confiam em Deus, esperam n’Ele e alegram-se ao reconhecer naquele Menino o Conselheiro admirável, Deus forte, Príncipe da Paz. Tenhamos confiança neste rebento novo de esperança, que tem o rosto de uma criança!

O Natal de Jesus pede-nos um novo nascimento, um coração renovado, gestos simples, palavras verdadeiras, um cuidado amoroso e zeloso por tudo e por todos. O Natal do “Emanuel” pede-nos que cuidemos da nossa família, oferecendo tempo, atenção e amor, especialmente aos mais frágeis, às crianças, aos nossos idosos, aos doentes.

 

O Natal não é ornamento.

É movimento.

Teremos sempre de caminhar para o encontrar!

Entre a noite e o dia,

entre a tarefa e o dom,

entre o nosso conhecimento e o nosso desejo,

entre a palavra e o silêncio que buscamos,

uma Estrela nos guiará!”  (Tolentino Mendonça)

 

Estamos todos sedentos de Paz. Como os pastores, sejamos peregrinos de esperança em direção a Belém e que o Príncipe da Paz a todos envolva com o seu amor!

Rezamos: Deus Menino guia-nos sempre da esperança a gestos de amor e de paz!

Votos de um santo e feliz Natal e que a Esperança frutifique sempre em gestos de Amor!

 

 

+Nuno Almeida

Bispo de Bragança-Miranda