Homilia de D. Nuno Almeida na Peregrinação Anual ao Santuário de Cerejais | Diocese Bragança-Miranda

PEREGRINAÇÃO ANUAL AO SANTUÁRIO DO IMACULADO CORAÇÃO DE MARIA DE CEREJAIS, ALFANDEGA DA FÉ

SOLENIDADE DA SANTÍSSIMA TRINDADE

31.05.2026

Homilia

 

 

Queridos irmãos e irmãs, reunidos neste belo Santuário do Coração de Maria de Cerejais! Caríssimo Pe. Manuel Ribeiro, pároco e pastor! Irmãs Vitorianas! Estimadas Autoridades! A nossa assembleia abraça os que nos acompanham pela Rádio Renascença. A todos saudamos com amizade, especialmente os doentes, os idosos mais sós, os nossos emigrantes e todos os que viajam!

 

1.No centro da nossa fé está o mistério indizível da Santíssima Trindade. Adoramos, filialmente, Deus-Amor!

Deus é mistério de amor, divino e pessoal: amor dado no Pai, acolhido no Filho e comunicado pelo Espírito Santo.

Deus origem de todas as coisas, antes de nós: a quem chamamos Deus Pai. O Pai é a fonte eterna do Amor!

Deus connosco, Emanuel, companheiro na peregrinação da vida, a quem chamamos o Filho! O Filho é na Trindade eterno acolhimento com gratidão infinita.

Deus em nós, no mais profundo do nosso ser, a quem chamamos Espírito Santo.

Quando falamos da Santíssima Trindade, referimo-nos ao imenso mar do Amor que é Deus e há em Deus. A Santíssima Trindade é este amor eterno, inesgotável, que une, desde sempre, as Três Pessoas Divinas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.

 

2.Fomos criados à imagem e semelhança de Deus por amor e para o amor. Aprendamos hoje do Pai a sermos sempre os primeiros a amar. Aprendamos do Filho a saber acolher, a agradecer e a deixar-se amar.

Com e como o Espírito Santo a procurar sempre unir, perdoar e reconciliar. Tocaremos assim um pouco de Paraíso: “Assim na terra como no Céu!”

Fomos criados por amor e para o amor. Amados somos chamados sempre e só a amar! Compreendemos melhor porque nos pesa a solidão, porque nos pode desumanizar o isolamento e escravizar o individualismo e nos pode destruir o egoísmo.

 

3.O Papa Leão XIV, na sua 1ª Encíclica, “Magnifica Humanitas”, diz-nos simplesmente: “Cuidemos das relações (…). A cultura digital multiplica as conexões e oferece novas possibilidades de encontro. No entanto, o coração humano conserva uma necessidade inalienável de proximidade.

Convido a perseverar nos lugares e nos momentos em que a presença física continua a ser decisiva: a mesa partilhada, a comunidade cristã que se reúne, a visita a quem está só, o serviço aos pobres” (MH 230).

Neste Santuário, eco do Santuário de Fátima, na conclusão do Mês de Maria, rezamos:

 

Virgem e Mãe, Maria,

atenta à Vontade do Pai,

movida pelo Espírito,

acolheste o Verbo da Vida

na fé humilde:

Ensina-nos a dizer

sempre sim ao Amor!

 

Deus Pai de Amor,

como Maria,

Te entregamos a nossa vontade!

 

Deus Filho, graça do Alto,

como Maria, Tua e nossa Mãe,

Te entregamos a nossa humanidade!

 

Deus Espírito de comunhão,

como Maria,

Te entregamos a decisão

de, em cada dia, recomeçarmos a amar. Ámen!

 

+Nuno Almeida

Bispo de Bragança-Miranda

 

Fotografia: Gabinete de Comunicação e de Apoio ao Peregrino do Santuário