Homilia de D. Nuno Almeida na Eucaristia da Solenidade da Senhora das Graças | Diocese Bragança-Miranda
Homilia de D. Nuno Almeida na Eucaristia da Solenidade da Bem-aventurada Virgem Maria, Rainha sob a invocação "das Graças" Titular da Igreja Catedral e Padroeira principal da cidade de Bragança.
Na celebração também está presente D. António Montes Moreira, Bispo emérito da Diocese. Concelebram o Monsenhor Adelino Paes (Vigário geral da Diocese), e os padres António Magalhães (Vigário do Clero), João Gonçalo (pregador, do presbitério da Diocese da Guarda); José Bento Soares (Pró Vigário); Bruno Dias (Seminário S. José); José Machado (Seminário Maior Interdiocesano), Sobrinho Alves (jubilado), Calado Rodrigues (pároco), José Carlos Martins e Nélson Vale (Unidade Pastoral Santo Cristo); Vitor Magalhães (Unidade Pastoral Santa Maria do Sabor); Belmiro Rodrigues e Luís Teixeira (Unidade Pastoral S. Bento); José Rocha e José Ribeiro (Diretor do IDEP).
Na animação litúrgica está o Coral Brigantino orientado por Armindo Rodrigues. Acompanha, no órgão de tubos, Rafael Madanços.
Homilia
SOLENIDADE DA SENHORA DAS GRAÇAS
Catedral de Bragança, 22 de agosto de 2026, 17h
(Is 9, 1-6; Gl 4, 4-7 e Lc 1, 26-38)
Saúdo o Sr. D. António Montes, o Sr. Vigário-Geral, todos sacerdotes concelebrantes e os diáconos; saúdo a Senhora Presidente da Câmara Municipal e todas as autoridades; os religiosos e religiosas, os seminaristas e a todos e a cada de vós, queridos irmãos e irmãs! Uma saudação especial ao Reitor e Irmãos da Arquiconfraria de Nossa Senhora das Graças, pelo trabalho generoso na dinamização da Novena e destas Festividades.
1.Festejamos hoje a Padroeira da Cidade e do Município, da Unidade Pastoral e da Catedral. Maria, Senhora das Graças, é a Mãe, Mulher Admirável, Rainha de caridade e de paz!
Contemplamos a bela imagem da Senhora das Graças e reparamos que a nossa Padroeira está diante de nóscom o coração ardente e cintilante fora do peito.Contemplamos a Mãe do Coração ardente, que invocamos como a Senhora das Graças, nossa Rainha, nossa Mãe e Padroeira!
Um coração de mãe é ardente porque ama profundamente. O coração da nossa Mãe arde e ilumina! Assim, o coração de todas mães, das nossas mães!
2.A perseverante participação de tantas pessoas na Novena e a presença de todos vós neste dia de festa,prova, mais uma vez, que a devoção mariana é uma característica bem evidente da fé cristã nas pessoas de Bragança e de todo o Nordeste Transmontano. Ao longo da Novena preparatória, Nossa Senhora surgiu como Mãe que se aproxima dos pequenos, que chora o esquecimento do Filho, que consola sem anestesiar, que pede oração e conversão, e que, no fim, mostra as suas mãos abertas, convidando-nos a fazer os nossos pedidos.
É bom recordar palavras do Papa Francisco: «Há um estilo mariano na atividade evangelizadora da Igreja. Porque sempre que olhamos para Maria voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto. Nela vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentir importantes» (EG 288).
3.No Evangelho proclamado (Lc 1, 26-38), contemplamos a nossa Mãe e Rainha na sua humilde casa de Nazaré! Maria começa a existir, para nós, no Evangelho, como Virgem recolhida na sua própria casa.
Em toda a cena da Anunciação, Maria é a Virgem do acolhimento. Ela acolhe a voz do anjo, acolhe a semente da Palavra e recolhe-se à sombra do Espírito, recebe o Filho de Deus, no seu seio.
Maria está diante de Deus com toda a sua dignidade humana. Apresenta-se com a sua maturidade e com a necessidade de compreensão. Usa a inteligência e só depois decide no seu coração e diz o maior sim da História: livre, responsável, criativo, total, um SIM MAIOR!: “Maria disse então: Eis a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra”.
O Evangelho proclamado mostra-nos que Maria não percorreu o caminho mais seguro nem o caminho mais cómodo. Maria trilhou sempre o caminho mais fiel. Em cada passo do seu caminho, Maria procura discernir e seguir a vontade de Deus. A fé de Maria é forjada na mais alta e perfeita contemplação e no serviço mais concreto, atento e humilde. Maria oferece-nos assim a chave da santidade, o seu segredo: vivermos centrados na Vontade de Deus e no amor ao próximo, nunca em nós mesmos!
Maria ensina-nos a contemplar, a escutar, a decidir e aagir quer diante do mistério do amor de Deus, quer perante as realidades concretas da vida quotidiana.
É este o caminho de alegria que a Senhora das Graças nos convida a trilhar: Permanecermos, também nós, na mais alta e apurada contemplação para descobrirmos sempre a Vontade de Deus e, ao mesmo tempo, caminhar unidos em cada família e comunidade. Fazermos sempre da nossa vida uma peregrinação em direção a Deus e aos irmãos.
Que a Senhora das Graças nos ensine a olhar para o alto e para o lado, para os que estão à nossa volta para, de mãos disponíveis, nos fazermos próximos, conscientes de que continuam frescas e verdadeiras as palavras do Papa Francisco na “Alegria do Evangelho”: “Sair de si mesmo para se unir aos outros faz bem. Fechar-se em si mesmo é provar o veneno amargo da imanência, e a humanidade perderá com cada opção egoísta que fizermos” (EG 87).
Aprendemos de Maria, Senhora das Graças, a fésegura (“Eis a serva do Senhor”); a esperança confiante em Deus (“nada é impossível a Deus”); a caridade missionária (“Maria pôs-se a caminho apressadamente”).
4.Com grande alegria, festejamos a Padroeira da cidade de Bragança e do Município, da Unidade Pastoral e da nossa Catedral.
O que nos está a dizer e a pedir, nesta hora, a Senhora das Graças? Pede-nos que cultivemos a “ecologia integral” escutando o grito da terra e o grito dos pobres ou dos mais frágeis.
Diz-nos que cada pessoa faz parte do projeto comum que tece e constrói uma cidade e uma comunidade. Cada um, sem exceção, é imprescindível para que uma cidade seja, viva e bela.
Que Maria, acenda em nós o entusiasmo por aquilo que é comum, ajudando-nos a ser cidadãos atentos, ativos e participativos.
A Senhora das Graças diz-nos que já é tempo de a Unidade Pastoral ser o deve ser. É preciso continuar, com mais dinamismo e entusiasmo a organizar a vida litúrgica e pastoral a partir da Catedral como sede e eixo da Unidade Pastoral da Senhora das Graças. Que a celebração das Bodas de Prata da Catedral, no próximo dia 7 de outubro, seja oportunidade para dar mais vida à Unidade Pastoral e à nossa Catedral no culto, na cultura e na caridade!
5.O Papa Leão XIV, na Solenidade da Assunção, há poucos dias, descreve Maria Santíssima como um sinal vivo de esperança, consolação e modelo para a Igreja, destacando o seu "sim" como um compromisso com a vida e a paz: "Maria é aquele entrelaçamento de graça e liberdade que impele cada um de nós à confiança, à coragem, ao envolvimento na vida de um povo. [...] Não tenhamos medo de escolher a vida! Pode parecer perigoso, imprudente. Quantas vozes estão sempre lá a sussurrar-nos: ‘Quem te obriga a fazer isso? Pensa só nos teus interesses’. São vozes de morte. Em contrapartida, nós somos discípulos de Cristo. É o seu amor que nos impele, corpo e alma, no nosso tempo. Como indivíduos e como Igreja, já não vivemos para nós mesmos. É precisamente isto – e só isto – que difunde a vida e a faz prevalecer. A nossa vitória sobre a morte começa precisamente agora.”
Nesta solene celebração da Eucaristia em que participamos, Maria olha-nos nos olhos e abraça-nos, apontando sempre o nosso olhar para Jesus Cristo.
Junto a ti, Senhora das Graças, Mãe da consolação, colocamos os nossos corações nesta hora. Trazemos até ti estes corações que tu conheces. Mas não só os nossos. Queremos hoje pedir, Senhora das Graças, que ilumines a dor de todos, sem fronteiras nem distinções, que ilumines a dor de próximos e distantes, de crentes e não-crentes, como se fosse uma só. Que escutes no silêncio a fadiga e o esforço, a solidão e as lágrimas, o cansaço e as necessidades de todos. Que veles pela grande família humana ferida. E nos mobilizes a todos para o desafio urgente de consolar, de cuidar e de reconstruir.
Em especial te rogamos, Senhora das Graças, para que dês firmeza à nossa esperança. Pois precisamos da esperança para olhar mais para diante, para ganhar confiança e recomeçar sempre. Ámen!
+ Nuno Almeida
Bispo de Bragança-Miranda





