Homilia de D. António Montes Moreira na Eucaristia do 25.º Aniversário da sua Ordenação Episcopal | Diocese Bragança-Miranda

NO JUBILEU EPISCOPAL

Nesta hora feliz da celebração de vinte e cinco anos de episcopado, agradeço a Deus o dom da existência, a graça da vida cristã pelo batismo, a vocação franciscana e o chamamento ao ministério presbiteral e episcopal.

Fui ordenado Bispo de Bragança-Miranda a 14 de outubro de 2001 na nova Catedral da Diocese, oito dias depois da sua solene dedicação. A justaposição de datas leva-me a evocar o meu predecessor D. António José Rafael cuja tenacidade e perseverança conseguiram tornar realidade o sonho bicentenário de erguer em Bragança uma catedral condigna. D. António Rafael será sempre recordado, com gratidão, como o Bispo da Catedral.

Escolhi para lema do meu episcopado a fórmula bíblica In nomine Domini, «em nome do Senhor». Concretizando esta divisa, procurei que a minha atuação contribuísse para tornar ainda mais visível a presença de Cristo na comunidade eclesial e na sociedade do Nordeste Transmontano. Neste momento de avaliação e de exame de consciência, pesa-me de, por atos e omissões, nem sempre ter cumprido exemplarmente este propósito.

Agradeço a colaboração recebida do clero, das religiosas e do laicado durante os dez anos do meu ministério episcopal na Diocese. Com uma palavra de fundo reconhecimento pelo trabalho dos párocos que, tantas vezes à sobreposse, asseguram o acompanhamento dos fiéis na capilaridade da pastoral quotidiana. O mesmo agradecimento devo à dedicação dos membros dos movimentos laicais de espiritualidade e apostolado cuja vitalidade dá a conhecer o rosto interior da Igreja. Relevo também a ação sociocaritativa das Misericórdias, da Cáritas, dos centros sociais paroquiais e de outras instituições eclesiais de solidariedade social. Todas são expressão viva da caridade organizada da Igreja. Conforme oportunamente lembrou o Papa Bento XVI, a vertente da Caridade não é opcional para a Igreja; pertence à sua natureza e constituição, ao lado do anúncio da Palavra de Deus e da celebração da Liturgia.

Finalmente, realço a boa cooperação entre a Diocese e as autarquias e demais autoridades. Afirmando a autonomia e independência da Igreja e do Estado, cada um na própria ordem, nos termos da Concordata entre a Santa Sé e a República Portuguesa de 2004, estamos, de mãos dadas, ao serviço da mesma população.

No âmbito pessoal, exprimo reconhecimento peculiar à Congregação das Servas Franciscanas Reparadoras de Jesus Sacramentado por ter continuado a assegurar os serviços internos da Casa Episcopal durante a minha permanência em Bragança.

Deixei o governo da Diocese há 15 anos com a ordenação episcopal do meu sucessor imediato, D. José Manuel Garcia Cordeiro, a 2 de outubro de 2011, também na catedral de Bragança. Seguiu-se, a 25 de junho de 2023, D. Nuno Manuel dos Santos Almeida, vindo de Braga onde era Bispo Auxiliar desde 2016. Faço votos e rezo pelo bom fruto pastoral do ministério de D. José na Arquidiocese de Braga e de D. Nuno ao serviço da nossa diocese de Bragança-Miranda.

Saí de Bragança a 10 de outubro de 2011, mas não abandonei a Diocese. Ela está presente na minha oração. Desloco-me com regularidade a Bragança, nomeadamente para a Missa Crismal de Quinta-Feira Santa e a festa de Nossa Senhora das Graças. Na prolongada vagatura episcopal após a ida de D. José Cordeiro para Braga, presidi ao Tríduo Pascal em 2022 e 2023 a solicitação do Administrador Diocesano, o estimado Monsenhor Adelino Paes. Correspondendo a outros convites, participei em bastantes celebrações religiosas e eventos culturais em diversos lugares da Diocese.

Desde há quatro anos, tenho aplicado a minha formação académica em trabalhos de investigação como Presidente da Comissão Histórica da causa de beatificação e canonização da Irmã Maria de S. João Evangelista, inspiradora carismática da Congregação das Servas Franciscanas Reparadoras de Jesus Sacramentado. Não se trata de serviço prestado apenas à comunidade eclesial de Bragança-Miranda. A Irmã S. João, Alzira da Conceição Sobrinho, é uma destacada figura do Nordeste Transmontano. A santidade também tem lugar no palco da cidadania.

Agradeço do coração a quantos, em dia de semana, vieram tão numerosos celebrar comigo o Jubileu Episcopal.

De modo particular, ao Senhor D. Nuno que promoveu esta celebração e me entregou a presidência num gesto de fraterna amizade episcopal.

No início da Eucaristia, D. Nuno surpreendeu-me com a leitura da carta de congratulação de Sua Santidade, o Papa Leão XIV, enviada por intermédio da Nunciatura Apostólica. Na minha resposta, agradecerei a benevolência do Santo Padre, com votos e oração pelo pronto restabelecimento das suas condições de saúde.

Alegra-me a presença significativa de sacerdotes apesar dos encargos pastorais nas paróquias. De entre eles, saliento vários dos treze padres que ordenei (onze da Diocese e dois dos Marianos de Balsamão) nos dez anos do meu ministério episcopal em Bragança. De modo especial, agradeço a presença de toda a comunidade dos Franciscanos Capuchinhos de Argozelo.

Registo igualmente a presença de Irmãs da Caridade do Sagrado Coração de Jesus e a elevada participação de Servas Franciscanas Reparadoras de Jesus Sacramentado.

Entre os fiéis de Bragança e de outros lugares da Diocese, destaco a presença dos Convívios Fraternos, movimento juvenil que desde os tempos do meu episcopado em Bragança marcou sempre presença significativa na Diocese.

Nos vinte e cinco anos da minha entrada na Diocese, recordo com agrado o bom acolhimento então recebido por parte das autoridades civis de Bragança e do Distrito. Em Bragança, os dez anos do meu episcopado decorreram durante os quatro mandatos do Senhor Eng.º António Jorge Nunes como Presidente da Câmara Municipal. Congratulando-me com a sua presença e a de sua Esposa nesta celebração, assinalo o seu contributo na última fase da edificação da Catedral. Por sua iniciativa, o Município assumiu a pavimentação do adro e a instalação da escadaria de acesso, valorizando assim o enquadramento urbanístico da Catedral.

Entrego todas as vossas manifestações de amizade e congratulação a Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele é o seu verdadeiro destinatário. Foi Cristo que há vinte e cinco anos me enviou à diocese de Bragança-Miranda em Seu nome: in nomine Domini, “em nome do Senhor”.

Bragança, 14 de outubro de 2026

+ António Montes Moreira, OFM

Bispo emérito de Bragança-Miranda