Comunicação de D. Nuno Almeida na Abertura do Dia Diocesano da Família | Diocese Bragança-Miranda
Macedo de Cavaleiros, 26.07.2026
Palavras de Abertura
A família é o primeiro lugar onde se aprende a amar
Queridos irmãos e irmãs, especialmente os casais aniversariantes!
1.A vocação ao matrimónio não se refere a relacionamentos fugazes, que se conectam e desconectam, mas a relacionamentos fundados sobre a estabilidade, a fidelidade e a indissolubilidade. Constatamos como tudo isto está em contradição com a cultura atual alicerçada sobre a desconstrução, a instabilidade e fundada sobre uma cultura do provisório.
Faz-nos bem recordar as palavras do Papa Leão XIV, na homilia do Jubileu das Famílias, Crianças e Idosos, em Roma, no dia 1 de junho de 2025: “Nas últimas décadas, recebemos um sinal que nos enche de alegria e, ao mesmo tempo, nos faz refletir: refiro-me à Beatificação e Canonização de casais, não separadamente, mas juntos, enquanto casais. Penso em Luís e Zélia Martin, pais de Santa Teresinha do Menino Jesus; como também os Beatos Luís e Maria Beltrame Quattrocchi, cuja vida familiar transcorreu em Roma no século passado. E não nos esqueçamos da família polaca Ulma: pais e filhos unidos no amor e no martírio. Eu dizia que se trata de um sinal que faz pensar, pois a Igreja, apresentando-os como testemunhos exemplares dos cônjuges, diz-nos realmente que o mundo de hoje precisa da aliança conjugal para conhecer e acolher o amor de Deus e superar, com a sua força que une e reconcilia, as forças que desagregam as relações e as sociedades. (…)
Continuam incisivas e oportunas as palavras do Papa Francisco pronunciadas no X Encontro Mundial das Famílias: “Ao afirmarmos a beleza da família, sentimos mais do que nunca que devemos defendê-la. Não permitamos que seja inquinada pelo veneno do egoísmo, do individualismo, da cultura da indiferença e do descarte, e perca assim o seu “DNA” que é o acolhimento e o espírito de serviço. Os traços próprios da família: o acolhimento e o espírito de serviço dentro da família”.
A família é, portanto, um mistério de amor: amor conjugal, maternal, paternal, filial, fraternal, amor dos avós pelos netos e dos netos pelos avós, dos tios pelos sobrinhos, etc. Nada mais constitui, liga, constrói e reconstrói a família senão o amor! E se os laços familiares são, hoje, tão frágeis e tantos casais se separam e tantas famílias vivem a tristeza da divisão e até da violência e maus-tratos, é porque o amor se apaga, ou nunca existiu!
A família é o lugar do encontro, da partilha, do sair de si mesmo para acolher o outro e para se fazer próximo. É o primeiro lugar onde se aprende a amar. Nunca esquecer isto: a família é o primeiro lugar onde se aprende a amar.
2.De facto, a família cristã deverá ser tecida, “artesanalmente”, pelos fios da conjugalidade, parentalidade e fraternidade místicas, realistas e oblativas. O mesmo será dizer por um amor místico, realista, oblativo e belo.
O amor que gera e une a família permanecerá se for alimentado, sustentado, confrontado e se está em comunicação com o amor de Deus. Tudo isto começa no dia em que é celebrado o Sacramento do Matrimónio, pois podemos mesmo dizer que o Sacramento do Matrimónio é Deus a amar em dois corações humanos, dois corações de carne.
Mais do que nunca as nossas famílias têm necessidade de uma verdadeira “transfusão” deste amor divino. É o amor que vem do Alto que permanentemente renova as famílias e as abre às outras famílias, à Igreja e à sociedade (reuniões arciprestais que começam na igreja diante do Santíssimo!)
3.Para que “o amor familiar seja vocação e via de santidade” terá de ser alimentado pela graça de Deus que recebemos na oração diária e na participação da Eucaristia. São também cada vez mais importantes os pequenos grupos de famílias, onde se possa escutar juntos a Palavra de Deus. Trata-se de procurar abrir os ouvidos e o coração à Palavra de Deus juntamente com os que estão à nossa volta, deixando que dê sentido à vida, para que sejam vividos com beleza as circunstâncias festivas e com coragem os momentos de prova e sofrimento. É para isto há que multiplicar pequenos grupos ao redor da Palavra de Deus. (Testemunho do P. Rogério … partilha pelo WhatsApp… festa e luto!)
4.Caríssimos esposos aniversariantes: queremos celebrar convosco esta vossa etapa jubilar. É caminho a percorrer, dia após dia. Mas tal não é “possível, se não se invoca o Espírito Santo, se não se clama todos os dias pedindo a sua graça, se não se procura a sua força sobrenatural, se não Lhe fazemos presente o desejo de que derrame o seu fogo sobre o vosso amor para o fortalecer, orientar e transformar em cada nova situação” (cf. AL 164).
A Igreja está convosco, ou melhor, a Igreja está em vós! A Igreja, de facto, nasceu de uma Família, a de Nazaré, e é feita principalmente de famílias. Que o Senhor vos ajude em cada dia a permanecer na unidade, na paz, na alegria e também na perseverança nos momentos difíceis, aquela perseverança fiel que nos faz viver melhor e mostra a todos que Deus é amor e comunhão de vida.
+Nuno Almeida, bispo de Bragança-Miranda
Fotografia: Rádio Onda Livre





