Novos vogais da Comissão Episcopal apontam «catecumenado e formação» como prioridades para os próximos anos | Diocese Bragança-Miranda
D. Nuno Almeida e D. Rui Gouveia assumem funções na Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé para o triénio 2026-2029.
O crescimento do número de “adultos que procuram o Batismo” e a “necessidade de reforçar os percursos de iniciação cristã” surgem entre os principais desafios apontados por D. Nuno Almeida e D. Rui Gouveia, nomeados recentemente como vogais da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé (CEECDF) para o triénio 2026-2029.
Em declarações ao EDUCRIS, os dois bispos, que se juntam a D. António Augusto Azevedo, presidente, D. António Moiteiro, bispo de Aveiro, e D. Manuel Pelino Domingues, bispo emérito de Santarém, destacam a “importância da catequese e da formação na fé” num contexto marcado por “novas realidades sociais, culturais e religiosas”.
Um grande desafio pela frente
D. Nuno Almeida, bispo de Bragança-Miranda, confessa que a nomeação surge “de forma inesperada”, numa altura em que esperava “viver um período mais tranquilo” da sua missão episcopal.
“Contava ter um triénio mais sereno e calmo por vários motivos. O primeiro por ter estado muito tempo na Comissão do Laicado e Família e pelos desafios próprios da Diocese porque pensamos entrar em sínodo”, revela.
Apesar da surpresa, D. Nuno Almeida diz acolher o convite como um apelo ao serviço da Igreja.
“Ao receber de surpresa o convite entendi-o como um desafio a crescer na comunhão e na colegialidade episcopal porque as comissões são exercício da vocação em ordem ao serviço e à missão e anúncio”, explica.
“Não podia dizer que não quando temos este tipo de chamamento”, acrescenta.
O novo vogal da CEECDF considera que esta é uma das áreas mais importantes da vida eclesial.
“Ser vogal de uma comissão como esta é um grande trabalho pois é central na vida da Igreja e das comunidades e é a grande porta de entrada para o ser cristão nas suas várias valências”, sublinha.
O prelado destaca o trabalho realizado pela Comissão Episcopal e identifica como prioridade o acompanhamento das pessoas que procuram a fé cristã.
“O trabalho que está a ser feito pela CEECDF é excelente e temos agora um grande desafio que tem a ver com os irmãos que chegam às comunidades, que não estão batizados, que têm sede e querem ser batizados”, refere.
Catequese e EMRC ganham dinamismo em Bragança-Miranda
Segundo D. Nuno Almeida, esta realidade cresce também na Diocese de Bragança-Miranda.
“Isto está a crescer muito mesmo aqui em Bragança-Miranda. A cada ano temos mais jovens estudantes e outros que nos solicitam o catecumenato”, afirma.
Para o bispo brigantino, “os próximos tempos exigem atenção ao primeiro anúncio, às oportunidades que temos, ao essencial da fé e à necessidade de fornecermos recursos para o catecumenado”.
Ao olhar para a realidade da sua diocese, D. Nuno Almeida destaca o trabalho desenvolvido na área da catequese.
“A primeira nomeação que fiz em Bragança foi a Ivone Calado e isso tem-me dado muita alegria. Foi uma nomeação feliz pelo trabalho que está a ser realizado por toda a equipa”, afirma.
O bispo refere ainda o percurso formativo promovido ao longo deste ano pastoral.
“No próximo sábado concluímos o curso de catequistas que foi muito participado. A Catequese tem trazido muita dinâmica”, assinala.
Outra área em crescimento é a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica.
“A EMRC está a crescer e tínhamos concelhos sem EMRC e agora vemos um crescer do interesse e do trabalho bom que está a ser feito”, sublinha.
D. Nuno Almeida identifica também um desafio particular das dioceses do interior.
“Temos um grande desafio que é responder, no meio da dispersão, nas comunidades pequenas que temos, numa diocese que envelhece rapidamente e precisamos de um olhar para os mais idosos e oferecer a estes contactos com a Igreja, com a Sagrada Escritura”, explica.
Neste contexto, considera prioritário reforçar a formação bíblica e espiritual das comunidades.
“Este caminho de formação é prioritário na diocese de continuar a oferecer a todos um contacto profundo, familiar com a Palavra de Deus em pequeno grupo. É decisivo até para que possamos vencer a solidão em que muitos idosos estão dispersos na diocese”, acrescenta.
D. Rui Gouveia destaca prioridade da catequese de adultos
Também D. Rui Gouveia, bispo auxiliar de Lisboa e novo vogal da CEECDF, considera que a iniciação cristã de adultos assume um lugar central no próximo triénio.
“A partir do momento em que somos nomeados bispos não sabemos ao que vimos. Esta comissão é uma das competências e tendo eu alguma experiência penso que foi esta a motivação do D. António Augusto. Faço-o com sentido de serviço e amor à Igreja e na dimensão educativa da fé”, afirma.
O bispo auxiliar de Lisboa destaca as orientações apresentadas pelo presidente da Comissão Episcopal.
“O senhor D. António Augusto Azevedo abordou esta questão da catequese para os adultos. Todo o itinerário tem como modelo o catecumenado de adultos e parece-me lógico que haja esta prioridade no desenvolvimento da dimensão catequética”, refere.
Para D. Rui Gouveia, as transformações demográficas que o país vive tornam este desafio ainda mais urgente.
“Hoje temos muita gente a chegar a toda a malha urbana e nas zonas mais rurais com a emigração e vai surgindo esta necessidade de acolher quem chega e acolher para iniciar na vida da fé na forma como a Igreja nos ensina”, explica.
Por isso, conclui, “esta é a prioridade”.
Pedro Quintans





