«A lei, o Presidente e a justiça social» - Opinião do sociólogo Octávio Sobrinho Alves | Diocese Bragança-Miranda
Não sei se o Presidente
tem razão ou não tem razão…
Não sei se a lei
é constitucional ou não.
Uma coisa eu sei:
A hermenêutica jurídica do Presidente
está mais conforme ao espírito
da igualdade, liberdade e fraternidade universal.
É por isso uma leitura
mais moderna,
talvez até mais revolucionária e dialéctica do texto.
O 1º Ministro disse:
“É uma visão interessante”.
E tem razão.
Eu diria:
É uma nova gramática
da interpretação da lei…
Diziam os romanos:
“Dura lex , sed lex”.
E à sombra deste conceito sagrado
admitiam-se todas as leis
feitas pela mão humana mesmo se sujeitas à vontade de um só
mas permitiam-se todas as injustiças
possíveis e imaginárias
contra o homem comum;
porque os não comuns estavam acima da lei.
Jesus de Nazaré,
Filho de Deus feito carne para quem acredita;
homem extraordinário para quem não acredita
deixou dito:
“O sábado é para o homem
e não o homem para o sábado”.
Ou seja:
“A lei está em função do homem
e não o homem em função da lei”.
Nesse dia, ficou esculpida
no coração dos poderosos do tempo,
a sentença de morte do Nazareno.
Porque:
mesmo estando a morrer de fome,
ninguém pode colher “espigas”
em dia de sábado.
Era assim a lei…
Que interessa a fome das pessoas??
Isso é lá com eles, diziam.
O importante é não transgredir a lei.
O que eu quero dizer é:
Nem sempre a laicização das leis
está conforme
com a dignidade da pessoa humana no seu todo.
Quando o Papa Francisco diz:
“Perante Deus todos somos irmãos”
não é uma mera questão de hermenêutica,
mas é uma ideia fundante
que afecta também
as leis escritas ou consuetudinárias,
mesmo se constitucionais.
Não podem uns,
porque com “poder”,
sobrevoar as leis mais elementares
e receberem milhões de milhões
adquiridos e sustentados
pela dubieza das leis,
e outros, a maioria,
porque, sem “poder”
serem “obrigados”
a não apanhar “as espigas”
duns míseros tostões mensais.
Rectifiquem-se, se for preciso, os orçamentos…
Mas não pode ser sempre Páscoa para uns (poucos)
e sexta-feira santa para outros (a maioria)
uns de “champanhe e caviar” (de esquerda, do centro e da direita)
outros do “chicharro e do carapau” (os da outra esquerda, do outro centro e da
outra direita).
O importante não é o que se diz,
mas o que se faz.
Pe. Octávio Sobrinho
Sociólogo





