Diocese Bragança-Miranda
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Retiro mensal em Balsamão [1]Seg, 22/06/2026 - 23:54

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NO CORAÇÃO DA SINODALIDADE: A CONVERSÃO No dia 21 de junho, decorreu o retiro mensal, em Balsamão, subordinado ao tema: “No coração da sinodalidade: o Espírito Santo chama-nos à conversão”, sob a orientação do Pe. Basileu Pres, MIC, em que participaram 11 pessoas. Iniciou com a oração da manhã (Laudes), pelas 9:30h e terminou com a oração da tarde (Vésperas). Ao meio dia, foi a celebração da Eucaristia. Meditámos sobre o primeiro capítulo do documento final da segunda Sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, que decorreu de 2 a 27 de outubro de 2024. Estamos na fase de Implantação do Sínodo sobre a Sinodalidade (Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão). Seguindo uma metodologia sinodal, iniciámos com a oração ao Espírito, que, sempre e em toda a parte, age em comunhão com o Pai e o Filho pelos séculos dos séculos, pedindo-lhe para que também nós não tenhamos a pretensão de fazer tudo sozinhos, mas, a exemplo da Santíssima Trindade, agirmos juntos, em comunhão, e contando sempre com o contributo e a participação das outras pessoas. O documento diz a todas as Igrejas locais que “continuem o seu caminho quotidiano com uma metodologia sinodal de consulta e discernimento, identificando caminhos concretos e percursos formativos para realizar uma conversão sinodal palpável nas várias realidades eclesiais”. O fundamento da sinodalidade encontrámo-lo nos sacramentos de iniciação cristã: baptismo, eucaristia e confirmação. “Graças à unção do Espírito Santo recebida no Batismo (cf. 1Jo 2,20.27), todos os crentes possuem um instinto para a verdade do Evangelho, chamado sensus fidei. Este consiste numa certa conaturalidade com as realidades divinas, baseada no facto de que, no Espírito Santo, os batizados “tornam-se participantes da natureza divina” (DV 2). Desta participação deriva a aptidão para captar intuitivamente o que é conforme à verdade da Revelação na comunhão da Igreja”. “Pelo Batismo, todos os cristãos participam no sensus fidei. Por isso, não é apenas o princípio da sinodalidade, mas também o fundamento do ecumenismo. “O caminho da sinodalidade, que a Igreja Católica está a percorrer, é e deve ser ecuménico, assim como o caminho ecuménico é sinodal” (nº 23). “Dentro do itinerário da Iniciação Cristã, o sacramento da Confirmação enriquece a vida dos crentes com uma particular efusão do Espírito em vista do testemunho”. Na celebração eucarística, “a unidade da Igreja não apenas se significa, mas também se realiza” (UR 2). Na “participação plena, consciente e ativa” (SC 14) de todos os fiéis, na presença dos diversos ministérios e na presidência do Bispo ou do Presbítero, torna-se visível a comunidade cristã, na qual se realiza uma corresponsabilidade diferenciada de todos pela missão” (nº26). Os termos “sinodalidade” e “sinodal” derivam da antiga e constante prática da Igreja de reunir-se em sínodo, para dialogar, discernir e decidir. A experiência da sinodalidade, hoje, é o caminhar juntos dos cristãos com Cristo e para o Reino de Deus, em união com toda a humanidade; orientada para a missão, implica o encontro em assembleia nos diversos níveis da vida eclesial, a escuta recíproca, o diálogo, o discernimento comunitário, a formação de consensos como expressão da presença de Cristo no Espírito e a tomada de uma decisão em corresponsabilidade diferenciada. “Nesta linha, compreendemos melhor o que significa que a sinodalidade é dimensão constitutiva da Igreja (cf. CTI, n.º 1). Em termos simples e sintéticos, pode-se dizer que a sinodalidade é um caminho de renovação espiritual e de reforma estrutural para tornar a Igreja mais participativa e missionária, isto é, para a tornar mais capaz de caminhar com cada homem e mulher irradiando a luz de Cristo” (nº 28). “A criatura humana, sendo de natureza espiritual, realiza-se nas relações interpessoais. Quanto mais as vive de modo autêntico, tanto mais amadurece a sua identidade pessoal. Não é isolando-se que o homem se valoriza, mas pondo-se em relação com os outros e com Deus. A importância de tais relações torna-se, portanto, fundamental” (CV 53). Uma Igreja sinodal caracteriza-se como espaço onde as relações podem florescer, graças ao amor recíproco que constitui o mandamento novo deixado por Jesus aos seus discípulos (cf. Jo 13, 34-35). No seio de culturas e sociedade cada vez mais individualistas, a Igreja, “povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (LG 4), pode dar testemunho da força das relações fundadas na Trindade. As diferenças de vocação, idade, sexo, profissão, condição e pertença social, presentes em cada comunidade cristã, oferecem a cada um o encontro com a alteridade indispensável para o amadurecimento pessoal” (nº 34). “A sinodalidade é, antes de mais, uma disposição espiritual que permeia a vida quotidiana dos batizados e todos os aspetos da missão da Igreja. Uma espiritualidade sinodal nasce da ação do Espírito Santo e requer a escuta da Palavra de Deus, a contemplação, o silêncio e a conversão do coração. Como afirmou o Papa Francisco no discurso de abertura desta segunda sessão, “o Espírito Santo é guia seguro, e a nossa primeira tarefa é aprender a distinguir a sua voz, porque Ele fala em todos e em todas as coisas”. Uma espiritualidade sinodal exige também ascese, humildade, paciência e disponibilidade para perdoar e ser perdoado. Acolhe com gratidão e humildade a variedade de dons e tarefas distribuídos pelo Espírito Santo para o serviço do único Senhor (cf. 1 Cor 12, 4-5)”. “Ninguém pode percorrer sozinho um caminho de espiritualidade autêntica. Precisamos de acompanhamento e apoio, incluindo a formação e a direção espiritual, como indivíduos e como comunidade” (nº 43). “A renovação da comunidade cristã só é possível reconhecendo o primado da graça. Se falta a profundidade espiritual pessoal e comunitária, a sinodalidade reduz-se a um expediente organizativo. Somos chamados não apenas a traduzir os frutos de uma experiência espiritual pessoal em processos comunitários, mas, mais profundamente, a experimentar como praticar o mandamento novo do amor recíproco é um lugar e uma forma de encontro com Deus” (nº 44). A sinodalidade é uma profecia social. “Praticado com humildade, o estilo sinodal pode fazer da Igreja uma voz profética no mundo de hoje. “A Igreja sinodal é como um estandarte erguido entre as nações (cf. Is 11,12)”. “Vivemos numa época marcada pelo aumento das desigualdades, pela crescente desilusão com os modelos tradicionais de governação, pelo desencanto com o funcionamento da democracia, pelo aumento das tendências autocráticas e ditatoriais, pelo predomínio do modelo de mercado sem ter em conta a vulnerabilidade das pessoas e da criação, e pela tentação de resolver os conflitos através da força e não do diálogo” (nº 47). “O modo sinodal de viver as relações é um testemunho social que responde à necessidade humana de ser acolhido e de se sentir reconhecido numa comunidade concreta. É um desafio ao crescente isolamento das pessoas e ao individualismo cultural, que também a Igreja muitas vezes absorveu, e apela-nos ao cuidado mútuo, à interdependência e à corresponsabilidade pelo bem comum. Ao mesmo tempo, desafia um comunitarismo social exagerado que sufoca as pessoas e não lhes permite serem sujeitos do seu próprio desenvolvimento” (nº 48). Pe. Basileu Pires, MIC

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