[1]Sáb, 24/01/2026 - 15:37
Mons. Adelino Paes: 50 anos a semear a alegria e a esperança do Evangelho
Somos interpelados pelo testemunho de cinquenta anos de sacerdócio do Mons. Adelino Paes, que nos faz sentir que é bom e belo ser padre. O seu percurso sacerdotal revela-nos que o dom do sacerdócio não é só para a Igreja, mas também para a humanidade. É um raio da luz de Deus no mundo.
O padre é chamado a elevar-se à mais alta contemplação e a permanecer misturado lado a lado com todos, para transformar o distante em próximo, o sofrimento em alegria e a morte em vida.
O padre contempla a cada hora o que Deus faz na criação e, sobretudo, no coração e na vida das pessoas a quem serve. Contempla também o que Deus faz através de pessoas com nome e com rosto. Contempla o que Deus faz através do seu ministério e apesar dele.
À semelhança de Cristo, o bom Pastor, Mons. Adelino tem procurado cuidar da saúde e da beleza espiritual das pessoas e das famílias. Como isto é importante hoje! Como homem do Evangelho, não se cansa de apelar ao que há de mais belo e positivo no coração de cada ser humano, levando Cristo e semeando a sua Palavra, nos grandes espaços urbanos ou nas aldeias mais recônditas.
Falamos de um homem sábio, bom e simples. Um homem multifacetado, desprendido, de uma cultura invulgar, atualizado e aberto, com um coração de bom pastor, cultivando uma relação carinhosa, próxima e amiga com todos.
Aprendemos, com o testemunho sacerdotal do Mons. Adelino, que a barca da vida só avança com um remo que se apoia no sacrário e outro na rua, cultivando sempre o encontro com Cristo no templo e no tempo, vivendo sempre descentrados de nós mesmos.
Mons. Adelino, com serenidade, sabe prevenir-nos, como Sebastião da Gama, de que há muito para fazer, mas há muito mais que amar. Há que amar humanamente a Deus. E há que procurar, sem hesitação, amar divinamente o próximo.
Com Mons. Adelino podemos aprender o “mirandês”. Mas, ao longo de cinquenta anos de sacerdote, Mons. Adelino tem praticado e ensinado, sobretudo, o “amorês”: a língua do Evangelho e do Espírito. É uma língua essencialmente gestual, feita de proximidade, de atenção, de ternura.
No diálogo com Mons. Adelino, aprendemos que há verbos que um padre não pode conjugar: o verbo «impor», o verbo «explorar», o verbo «ofender». O padre só pode conjugar o verbo «servir», o verbo «dar», este sobretudo na forma reflexa: «dar» tem de ser sobretudo «dar-se».
São muitos os testemunhos que tenho escutado sobre o Mons. Adelino de pessoas que tiveram a graça de o ter como pastor. Deixou marcas profundos nos corações de tantos, nas famílias, nas comunidades. Basta pensarmos em tudo o que foi erigido na comunidade do Santo Condestável, a Fundação Betânia e em tantas outras.
Os tempos atuais exigem que a vida das paróquias e da diocese seja sinodal, ou seja, um caminho comum a partir da escuta humilde e constante da Palavra de Deus e do eco desta Palavra na vida e nas palavras de todos. Agradecemos a Deus os laços verdadeiramente “teândricos” (humano-divinos), que Mons. Adelino tem procurado tecer.
No nosso caminho, há pessoas especiais que nos geraram para a vida e para a fé. Há pessoas que basta a sua presença e olhar para nos sentirmos mais serenos e desafiados a ser melhores. Assim é com Mons. Adelino. Temos o dom e a alegria de termos Mons. Adelino na decisiva e difícil missão de Vigário-Geral. Agradeço a Deus e ao Mons. Adelino a sua generosidade e dedicação à nossa diocese de Bragança-Miranda.
Votos de que continue, por muitos e bons anos, a entregar todas as manhãs ao Senhor o seu tempo para se deixar encontrar pelas pessoas. A derramar o óleo da esperança e da consolação, fazendo-se samaritanamente próximo de todos.
Mons. Adelino é um servidor da vida, caminhando com o coração e o passo dos mais frágeis. É um homem de paz e de reconciliação, um sinal e instrumento da ternura de Deus, atento a difundir o bem com paixão.
O sentido de pertença à Igreja é o tempero da vida de Mons. Adelino, fazendo com que o seu princípio distintivo seja a comunhão vivida com os sacerdotes, diáconos, consagrados e leigos em relações que sabem valorizar a participação de cada um. A sua principal tarefa tem sido a de construir comunidade.
Mons. Adelino ama a nossa diocese de Bragança-Miranda, que reconhece visitada todas as manhãs pela presença amorosa de Deus. É um homem de Páscoa, de olhar voltado para Reino e para onde sente que a história humana caminha, apesar dos atrasos, das obscuridades e contradições.
+Nuno Almeida
Bispo de Bragança-Miranda

