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Conclusões do Conselho Nacional da Pastoral Juvenil [1]Sáb, 31/05/2025 - 14:44

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Reunido em Braga, nos dias 23 e 24 de maio de 2025, o Conselho Nacional da Pastoral Juvenil voltou a afirmar-se como um espaço privilegiado de reflexão, partilha e discernimento sobre os caminhos da juventude na Igreja e na sociedade. Sob o tema “Há todo um mar de desafios”, o encontro convocou dioceses, movimentos, congregações e associações ligados à pastoral juvenil a olhar com ousadia e realismo para o presente, com atenção especial às vozes e inquietações das novas gerações. Este Conselho foi também marcado por um momento histórico e emocional: a memória agradecida pelo pontificado do Papa Francisco e a oração confiante pelo início do ministério do novo Papa, Leão XIV. Num ambiente de comunhão e corresponsabilidade, os participantes aprofundaram questões centrais como o protagonismo juvenil, a construção de uma pastoral mais inclusiva e transformadora, a prevenção de abusos e o compromisso com uma Igreja verdadeiramente sinodal. Este encontro marcou mais um passo na caminhada conjunta rumo a uma pastoral juvenil fiel ao Evangelho e atenta aos sinais dos tempos. Destacamos as seguintes conclusões do encontro: 1. Procurar Novos Horizontes e Grandes Desafios O Conselho reafirmou a necessidade urgente de uma pastoral juvenil que assuma o risco do encontro com o mundo real e plural onde os jovens vivem, pensam e sonham: Sair da bolha: É essencial que os jovens católicos saiam dos seus contextos eclesiais habituais para escutar, compreender e dialogar com quem vive à margem dos valores cristãos, sem cair em radicalismos nem perder a identidade. Protagonismo jovem na sociedade: Foi lançado o apelo à participação ativa dos jovens cristãos na construção de um Portugal mais justo e fraterno, nomeadamente através do envolvimento nas políticas públicas. Mensagem de esperança e compromisso: A intervenção do presidente do CNJ sublinhou que “ficar à margem” não é opção; os jovens devem assumir o seu papel como protagonistas da mudança, com base em princípios de solidariedade e fraternidade. Diagnóstico de desafios: Foram identificados problemas centrais dos jovens (saúde mental, habitação, redes sociais, individualismo) e das políticas de juventude (legislação, participação, financiamento, sustentabilidade), exigindo empatia e ação coordenada. Desafios de futuro: jovens católicos contribuírem de forma decisiva para o rejuvenescimento das comunidades. Participam neste momento de reflexão: André Cardoso, Presidente do Conselho Nacional de Juventude e Carlos Sousa Santos, Coordenador do Programa de Aceleração do Human Power Hub. 2. Pastoral Juvenil em Portugal: Um Quadro de Referência Foi apresentada e debatida a proposta de quadro de referência para a Pastoral Juvenil, dando importância aos seguintes pontos: Diversidade e inclusão: A pastoral deve ser para “todos os jovens” e para os “jovens todos”, reconhecendo a diversidade cultural, económica, religiosa e existencial da juventude em Portugal. Transformação da realidade: A proposta aponta para uma pastoral que não se limite à evangelização tradicional, mas que toque nas realidades concretas da vida dos jovens – escola, cultura, desporto, internet, crises, paz, entre outras dimensões da vida. Agência juvenil: Os jovens não devem ser vistos como destinatários, mas como agentes da pastoral, com voz ativa na construção da Igreja. Processo participativo e sinodal: A elaboração do documento está a ser feita de forma participada com o projeto Escuta 360º, Juntos a escutar o futuro, recolhendo contributos locais e nacionais, e será submetida à aprovação da Conferência Episcopal em 2026. A reflexão “Pastoral Juvenil em Portugal. Um quadro de referência” foi conduzida pelo Pe. Rui Alberto, SDB. 3. Prevenção da Violência Sexual contra Crianças, Jovens e Adultos Vulneráveis O Conselho deu espaço à reflexão sobre a proteção de menores, jovens e adultos vulneráveis no contexto da Igreja, com a participação de Rute Agulhas coordenadora do Grupo Vita: Urgência na prevenção e capacitação: Destacou-se a dificuldade em chegar à população mais jovem com informação clara e acessível sobre abusos e como agir. Quebra de pactos de silêncio: É necessário combater o “efeito de espectador passivo” e os pactos de silêncio entre amigos, promovendo atitudes de apoio ativo e denúncia responsável. Capacitação em curso: Mais de 60% das dioceses e muitos institutos de vida consagrada já solicitaram apoio ao Grupo Vita para formação de padres, catequistas e agentes pastorais. Empoderamento juvenil: Os jovens devem ser equipados com ferramentas práticas para reconhecer abusos, saber reagir e reportar. Respeitar os limites dos outros é uma linguagem fundamental da pastoral com e para os jovens. 4. Por uma Igreja Sinodal: Relações, Escuta e Formação Inspirados no documento final da XVI Assembleia do Sínodo dos Bispos, os participantes refletiram sobre a necessidade de uma pastoral juvenil sinodal e relacional: A juventude é presente, não apenas futuro: Os jovens devem ser acolhidos como protagonistas do presente da Igreja, e não apenas como promessas para o futuro. Conversão das relações: Uma Igreja sinodal implica uma cultura de escuta, amizade e acompanhamento, marcada pela presença e não pelo paternalismo. Acompanhamento personalizado: O anúncio de Cristo passa por relações significativas, próximas, que acompanham a vida real dos jovens. Sensibilidade às realidades concretas: A pastoral juvenil deve ter em conta temas como o emprego, a justiça salarial, a crise habitacional, as redes sociais e a ecologia. Participação efetiva: A presença dos jovens nos órgãos consultivos e pastorais (paróquias, dioceses, movimentos) deve ser garantida e valorizada. Itinerários formativos: A formação integral dos jovens, e dos formadores de formadores, é uma dimensão essencial e transversal a toda a pastoral – desde o despertar vocacional até à maturidade cristã e cidadã. Reflexão “Por uma Igreja Sinodal” conduzida pelo Pe. Paulo Terroso, Reitor da Basílica dos Congregados (Braga). Lisboa, 27 de maio de 2025 DNPJ

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