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Homilia de D. Nuno Almeida na Missa da Ceia do Senhor [1]Sex, 18/04/2025 - 09:47

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CEIA DO SENHOR Ex 12,1-8.11-14; Sl 116; 1 Cor 11,23-26; Jo 13,1-15   1.Com a celebração da Ceia do Senhor, em Quinta-Feira Santa, a Igreja Una e Santa reacende a memória da instituição da Eucaristia, do Sacerdócio e da Caridade, e dá início ao Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição do seu Senhor (o Tríduo Pascal prolonga-se até às Vésperas II do Domingo da Ressurreição), que constitui o ponto mais alto do Ano Litúrgico, de onde tudo parte e aonde tudo chega, coração que bate de amor em cada passo dado, em cada gesto esboçado, em cada casa visitada, em cada mesa posta, em cada pedacinho de pão sonhado e partilhado. É assim que Deus nos dá a graça de caminhar durante todo o Ano Litúrgico, dia após dia, Domingo após Domingo, sempre partindo da Páscoa do Senhor, sempre chegando à Páscoa do Senhor. O Domingo é a Páscoa semanal que precisamos de celebrar!   2.Tivemos hoje a graça de ouvir o colorido relato da primeira Páscoa, celebrada pelo Povo hebreu no Egito, conforme o relato do Êxodo 12,1-14. «Páscoa» quer dizer «passagem», e põe em cena «passageiros». Com Jesus Cristo, fomos, também por graça, levados a passar do pecado para a graça, da soleira da porta para a mesa, da morte para a vida em abundância, da nossa casa para a Casa do Pai. Neste Dia Santíssimo, é-nos dada a graça de poder escutar um dos mais antigos e intensos relatos da Ceia do Senhor: “O Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, recebeu o pão e dando graças (eucharistêsas), partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo, que é para vós; isto fazei para memória de mim”. Do mesmo modo fez com o cálice, depois da ceia, dizendo: “Este cálice é a nova Aliança no meu sangue; isto fazei, sempre que o beberdes, para memória de mim”. Portanto, sempre que comerdes este pão e beberdes este cálice, estais a anunciar a morte do Senhor até que Ele venha” (1 Cor 11,23-26).   2.“Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também” (Jo.13,15), diz o Senhor. O Senhor chama-nos a tomar parte no mistério da Sua entrega e a fazermos pelos outros o que Ele faz por nós: Ele levanta-se da mesa e ajoelha-Se aos nossos pés, para que nos saibamos abaixar, inclinar e dobrar, no serviço humilde aos outros, que tem o seu vértice luminoso na Cruz. Ele lava-nos os pés, para nos curar as feridas do caminho, para nos limpar do coração a soberba, a vaidade, a rivalidade, a vanglória, e assim nos ensinar que também nós devemos tratar as feridas dos nossos irmãos, caídos e cansados do caminho; também nós devemos abrir a porta à alegria do perdão; também nós devemos aprender que o verdadeiro poder é servir e que servir é uma alegria!   4.Percorrendo o evangelho proclamado, deparamo-nos com uma sequência verbal riquíssima, que mostra bem como a vivência da Eucaristia transforma a nossa vida desde dentro, dando-nos um coração novo, capaz de conjugar em cada dia os verbos fundamentais da Eucaristia: Receber, bendizer, agradecer, partilhar, dar, comemorar, anunciar e esperar. Receber é um verbo fundamental, por isso começamos a Eucaristia de mãos abertas para Deus, grande atitude bíblica e cristã. Dar graças. É só reconhecendo e sabendo e sentindo que a Graça tomou conta de nós, que podemos e sabemos dar graças, outra grande atitude que transforma a nossa vida. Partilhar o pão. Grande atitude a de saber que nada é só meu, nem sequer a minha vida. Tudo é para partilhar com alegria com tantos irmãos e irmãs. Sim, à minha volta há só irmãos e irmãs, e à minha frente há sempre uma mesa posta com lugar para todos. Em memória de Jesus. Sim, amados irmãos e irmãs, nunca podemos esquecer aquele jeito de Jesus. Ele no centro da nossa vida e das nossas atitudes, municiando-as. Anunciar a morte do Senhor. Jesus não morreu para desaparecer. Morreu para viver em plenitude e nos dar essa vida nova, transbordante e transformante. Sim, trata-se de anunciar que Jesus viveu e morreu para dar a vida por amor, para sempre e para todos. E é nessa atitude que continua vivo e presente no meio de nós.   5. É à Mesa que estamos, meus irmãos, nesta tarde e nesta Ceia Primeira de Quinta-Feira Santa, hospedados na Casa do único Senhor da nossa Vida, «Aquele que nos ama» (Ap 1,5), Jesus Cristo. Estão ainda a ecoar nos nossos ouvidos e a ressoar em tudo o que fazemos as palavras do Mestre: «Como Eu vos fiz, fazei vós também!» (João 13,15). Vê-se bem, meus irmãos, que não é tanto o que se faz que interessa. Interessa muito mais o «como» se faz. O segredo é dar a vida por amor, para sempre, para todos. Jesus é o único Mestre que ensina a Viver desta maneira. E é assim que fica bem à nossa vista o significado da instituição da Eucaristia, do Sacerdócio e da Caridade. Que o Senhor da nossa vida nos ensine a ser fiéis ao seu dizer e ao seu modo admirável de fazer.   6.Será que a vivência da Eucaristia nos abre os olhos, nos estende as mãos, nos desperta o coração, de modo que a nossa vida esteja cada vez mais voltada para os outros?! Pensemos hoje nas populações civis que estão a sofrer nas guerras atuais. Pensemos naqueles irmãos e irmãs que regressavam a casa da Missa, no passado Domingo de Ramos, em Sumy, na Ucrânia e foram cobarde e barbaramente assassinados pelas sofisticadas e diabólicas armas russas. Pensemos em tantos nossos irmãos residentes e voluntários cobardemente assassinados à distância em Gaza pelas sofisticadas e diabólicas armas israelitas. Cada guerra deixa o mundo pior do que o tinha encontrado. Assistimos incrédulos às guerras atuais, na Ucrânia e em Gaza, em que não há distinção entre alvos militares e civis e são tantas as vítimas cujo sangue inocente clama aos céus e nos implora que ponhamos fim a todas as guerras. Que não nos deixemos enganar por líderes políticos com cara de anjo e coração e mãos diabólicos! Não hesitemos em rezar, com clamor e lágrimas, e pedir ao Senhor e a Nossa Senhora o dom da Paz!   Recordando, Senhor, o que fizeste naquela tarde, em que lavaste os pés aos Teus amigos, temos o essencial do ser cristão, que é servir, cuidar, amar e facilitar a vida.   ConTigo aprendemos logo a viver, Porque o ensinas com o Teu agir, Porque pegas na toalha, Lanças-Te por terra, E lavas um a um, A parte mais suja do corpo, Os pés suados e sujos com a poeira dos caminhos.   A cada um de nós pedes que vivamos em serviço, Para ajudar quem precise, Para dar uma mão, Para compartilhar uma dor, Para festejar uma alegria, Para rezar juntos, Para suavizar o peso da vida, Para implorarmos o dom da Paz! Amen!   +Nuno Almeida Bispo de Bragança-Miranda

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