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Homilia de D. Nuno Almeida na Eucaristia da Solenidade da Senhora das Graças [1]Qui, 22/08/2024 - 22:59

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SOLENIDADE DA SENHORA DAS GRAÇAS Catedral de Bragança, 22 de agosto de 2024, 17h (Sir 24, 14-16.24-31; At 1, 12-14; Mt 12, 46-50) “Ensina-nos a rezar” (Lc  11, 1)   Homilia   Saúdo o Sr. D. António Montes, o Sr. Vigário-Geral, todos sacerdotes concelebrantes e os diáconos; saúdo o Senhor Presidente da Câmara Municipal e todas as autoridades; os religiosos e religiosas, os seminaristas e a todos e a cada de vós, irmãos e irmãs!   1.Festejamos hoje a Padroeira da cidade, do município, da unidade pastoral e da catedral. Maria, Senhora das Graças, é a Mãe, Mulher Admirável, Rainha de caridade e de paz! E como estamos sedentos de paz! Contemplamos a bela imagem da Senhora das Graças, como criança que fixa o rosto da sua mãe. Reparamos que a nossa Padroeira está diante de nós com o coração ardente e cintilante fora do peito. Contemplamos a Mãe do Coração ardente, que invocamos como a Senhora das Graças, nossa Rainha e Padroeira! A Irmã Maria de São João - cujo processo de beatificação e canonização foi aberto, na etapa diocesana, no passado dia 15 de agosto - a partir da sua experiência mística, afirmou acerca do lume que faz arder o coração, qual sarça sempre ardente: «em certas ocasiões o coração está cheio de Deus e não cabe mais no peito» (Ir. S. João, SFRJS). Um coração de mãe é ardente porque ama profundamente. O coração da nossa Mãe arde e ilumina! A assídua participação de tantas pessoas na novena e a presença de todos vós neste dia de festa, prova, mais uma vez, que a devoção mariana é uma característica bem evidente da fé cristã nas pessoas de Bragança e de todo o Nordeste Transmontano. A este propósito recorda-nos o Papa Francisco: «Há um estilo mariano na atividade evangelizadora da Igreja. Porque sempre que olhamos para Maria voltamos a acreditar na força revolucionária da ternura e do afeto. Nela vemos que a humildade e a ternura não são virtudes dos fracos, mas dos fortes, que não precisam de maltratar os outros para se sentir importantes» (EG 288).   2.A segunda leitura dos Atos dos Apóstolos apresentou-nos a primeira comunidade cristã, que procura continuamente o sentido da sua missão, rezando com(o) Maria, Mãe de Jesus. Este é o modelo para conhecer o Evangelho e para dar testemunho dele no mundo de hoje. “Ensina-nos a rezar” (Lc 11, 1) foi o lema escolhido para a Novena da Senhora das Graças deste ano, em preparação do Jubileu de 2025. Orar nem sempre é fácil, mas tem de ser sempre simples. A simplicidade é o segredo da oração. É o que nos recomenda, aliás, o cardeal Francisco Van Thuan: «Quando me faltam as forças e não consigo recitar as minhas orações, repito: “Jesus, estou aqui, sou o Francisco". Isso enche-me de alegria e consolação pois sinto que Jesus me responde: “Francisco, estou aqui, sou Jesus”». A oração é sobretudo isto: sentir que estamos perto de Deus, sentir que Deus está perto de nós. Com a Mãe aprendemos a escuta, a caridade, o perdão, a coragem e até a estar, mesmo quando tudo parece desmoronar-se. Ela estava quando faltou o vinho da alegria em Caná, ela estava junto à cruz, «destinada a ser Mãe-Igreja» (Balthasar). Ela está! A Mãe sempre está! Nós passamos e trabalhamos muito pelas pessoas, mas será que procuramos “estar” realmente com os nossos irmãos e irmãs? Corremos até o risco de passar muito pelo próprio Deus e de «estar» muito pouco com Deus. Quando passamos por uma Igreja ou por um Santuário, que tempo «estamos» com Jesus no Sacrário? Por vezes, até uma romaria parece uma correria. Devemos rezar e pedir com o salmista: «ensinai-nos a contar os nossos dias, para chegarmos à sabedoria do coração» (Sl 90,12). A sabedoria do coração ou a “ecologia do coração” é o primeiro dom que podemos receber na oração! Não apareçamos só nas horas de alegria. Nas horas de dor, procuremos estar e façamos também companhia.   3.O Evangelho proclamado (Mt 12,46-50) confronta-nos com a pergunta da pertença a Cristo e à Igreja. Todos os que fazem a vontade do Pai são membros da família de Deus. Maria não percorreu o caminho mais seguro nem o caminho mais cómodo. Maria trilhou sempre o caminho mais fiel. Em cada passo do seu caminho, Maria discernia a vontade de Deus. É este o caminho de alegria que a Senhora das Graças nos convida a trilhar: Permanecermos, também nós, na mais alta e apurada contemplação e descoberta da Vontade de Deus e, ao mesmo tempo, caminhar unidos ao lado de cada um. Maria, Senhora das Graças, ensina-nos a olhar para o alto e para o lado, para os que estão à nossa volta para nos fazermos próximos, conscientes de que são verdadeiras as palavras do Papa Francisco na “Alegria do Evangelho”: “Sair de si mesmo para se unir aos outros faz bem. Fechar-se em si mesmo é provar o veneno amargo da imanência, e a humanidade perderá com cada opção egoísta que fizermos” (EG 87). Façamos, então, da nossa vida uma peregrinação em direção a Deus e aos irmãos! Estamos chamados a ser Igreja que não procure oferecer “sinais de poder”, mas sim o “poder dos sinais” compreensíveis para a sociedade atual, sinais que não contradigam a mensagem do Evangelho transmitida, oferecida e testemunhada. Tudo isto implica um rosto de igreja: família de famílias, comunidade de comunidades. Lembra o Papa Francisco: “Jesus recomenda, no Evangelho, que, para escutar melhor a voz de Deus, a pessoa necessita de fechar a porta do seu quarto e nele orar em silêncio, mas deve ter sempre escancarada a porta do seu coração, uma porta aberta por aqueles que rezam sem saber rezar; por aqueles que não rezam de facto, mas transportam dentro de si um grito sufocado, uma invocação oculta; por aqueles que erraram e se perderam do caminho”.   4.As flores que hoje perfumam a nossa assembleia litúrgica expressam não só a vida crente das comunidades do Município de Bragança, mas simbolizam a esperança de todo o povo nordestino que peregrina na história rumo ao futuro da Esperança e da Paz. Maria de Nazaré, sob o título da Senhora das Graças ou da Divina Graça, é desde 1856 a padroeira muito amada da cidade de Bragança, desde 2001 a titular da Catedral e desde 2012 o nome da Unidade Pastoral. Com muita alegria e filial gratidão de novo nos confiamos e saudamos a Mulher admirável, que deu à luz o Filho de Deus, príncipe da paz, como Rainha do Céu e Mãe de todas das graças. Na solene celebração da Eucaristia em que participamos, Maria olha-nos nos olhos e abraça-nos, apontando sempre o nosso olhar para Jesus Cristo. Ela existe para mostrar o Coração, ou melhor, para mostrar Deus a todas as gerações.   Mulher da espera, mãe da esperança. Mulher do sorriso, mãe do silêncio. Mulher de coragem e mãe do ardor. Mulher do repouso e mãe do caminho. Mulher do deserto e mãe do renascer. Mulher do ocaso e mãe do recordar. Mulher do presente e mãe do regressar. Mulher da terra e mãe do amor. Mulher do futuro, mãe da Vida. Roga por nós, Senhora das Graças,  nossa Mãe, nossa Rainha e Padroeira!   + Nuno Almeida Bispo de Bragança-Miranda

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