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«A primeira geração incrédula» - Artigo de Opinião do Pe. Octávio Sobrinho Alves [1]Qui, 15/07/2021 - 10:44

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Armando Matteo, professor de teologia na Pontifícia Universidade Urbaniana (Roma) chamou à geração da década de oitenta (1980)  a primeira geração incrédula, em livro traduzido agora em língua portuguesa. Como assim (?!) uma geração tão perto do Concílio Vaticano II, onde se abriu o diálogo com a modernidade, se esqueceram os anátemas do Vaticano I (1870), se deu um “tu-a-tu" entre a razão e a fé, se deixaram os dogmatismos cegos e sem alma, e se começou a usar uma gramática cristã da existência! Não parece um tanto ou quanto paradoxal? Matteo põe o problema na ordem cultural e que seria o resultado da profunda mutação do Ocidente iniciada na segunda metade de 1800 com Marx, Freud e Nietzsche. É a celebre questão da “eternidade” e da “finitude” que culmina na “autonomia do sujeito” segundo as profecias de Nietzsche (1968). Assim, a fé não será mais uma “opção hereditária” mas uma decisão preparada e promovida. Mas a cultura do bem-estar dessa época fez brilhar apenas o sucesso, a qualquer preço.   Ficaram assim para trás os “sem condições”, a palavra de Deus ficou congelada nos meandros das lutas de poder, a igreja continuou a querer alcançar resultados novos mas sempre com os mesmos métodos. Alguém chamou a isto  de loucura pastoral. Que é: Andarmos sempre à procura de novas fórmulas esquecendo o testemunho de vida. Não foi entendido o “aggiornamento” do Concílio Vaticano II. Ficou-se apenas na superfície, na mediocridade dos conceitos. Passou-se o tempo a “discutir” em vez de “construir”. E ainda hoje se continua a gastar tempo se a missa pode ser em latim ou em dialecto amazónico. Que pobreza de mentalidade! Houve tantas propostas e versões planificadoras, mas quase sempre desenraizadas do “quotidiano” das pessoas. Sempre à espreita da “novidade”, do “diferente” acabaram por perder a raiz e a consistência. Melhor:   a coerência. Se o Cristianismo não conduz os homens à felicidade para que serve? Esta geração chamada “incrédula” não se coloca contra Deus nem contra a Igreja mas é uma geração que está a aprender a viver sem Deus, sem Igreja, sublinha Armando Matteo. Conseguirá? Duvido muito. A cultura europeia demonstra sinais de grande indiferença com o Cristianismo; bem ao contrário, outros continentes (África, Asia, América Latina) traduzem uma frescura evangelizadora que dá sentido à vida e felicidade à existência. Não serão eles e elas os “novos colonizadores da fé”, agora sem outras ambições que não sejam levar o Evangelho a toda a criatura? Sem bolsa nem alforge, sem sandálias, apenas com a força do espírito que gera amor? Entre nós fez-se (1974) a descolonização, quando a Igreja aconselhava à transcolonização. São coisas diferentes e que teriam poupado tanto sangue, tanto ódio e tanta morte.   Resta agora, que essas novas comunidades cristãs e católicas, transponham para a Europa “cansada” e “moribunda”, a chama apaixonante de Cristo Vivo e Ressuscitado... Precisam de ser acolhidas, não apenas para o trabalho, (às vezes ingrato e despersonalizante), mas para a Missão. A diocese e a cidade de Bragança, são já, neste momento, um exemplo promissor. Este não é o tempo de nos preocuparmos com o futuro da Igreja, mas sim de o construirmos....

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