Santa Maria Maior, Mãe da Paz - Concatedral, 1 de janeiro de 2018 | Diocese Bragança-Miranda

Homilia de D. José Cordeiro, hoje, Dia Mundial da Paz, na Concatedral, em Miranda do Douro:

Santa Maria Maior, Mãe da Paz

 

1. Santa Maria Maior, Mãe de Deus e Mãe da Igreja

O tempo do Natal é uma dilatada memória da maternidade divina de Maria, celebrando o seu privilégio único e o seu título essencial de Mãe de Deus (Theotókos), a fonte viva da nossa Paz. A Liturgia canta este admirável mistério num Hino: «Ó Virgem gloriosa, Mãe de Deus, Ó Filha predilecta do Altíssimo, Habitou em teu seio virginal, Aquele que o mundo todo não contém, Ó Virgem, que à luz deste a luz do mundo, Senhora, Mãe de Cristo e nossa Mãe!».

A nossa Concatedral e a Unidade Pastoral com sede em Miranda do Douro são dedicadas a Santa Maria Maior. A Virgem Santa Maria é, com efeito, a maior entre o povo santo de Deus, um caminho excelente da espiritualidade cristã, modelo do autêntico culto: «Ela é a Virgem ouvinte,que escuta com alegria as vossas palavras e as medita no silêncio do seu coração. Ela é a Virgem orante,que exalta a vossa misericórdia no seu cântico de louvor, intercede com solicitude pelos esposos em Canáe se associa no Cenáculo à oração dos Apóstolos. Ela é a Virgem fecunda,que dá à luz o seu Filho pela virtude do Espírito Santoe, junto à cruz, é proclamada Mãe do povo da nova aliança. Ela é a Virgem oferente,que Vos apresenta no templo o seu Filho Primogénitoe, junto à árvore da vida, se une à sua oblação redentora. Ela é a Virgem vigilante,que espera firmemente a ressurreição do seu Filho e aguarda fielmente a descida do Espírito Santo» (Prefácio CMSM 26).

2. «Depois de oito dias, deram-lhe o nome de Jesus»

O nome dado ao Menino – Jesus – significa “o Senhor salva”. Um nome é muito mais que um amontoado de letras, gerado para diferenciar algo ou alguém, ele tem sempre subjacente uma relação, é a forma muito imediata de um “eu” chegar a um “tu” como música para o ouvido do coração. E é certo que hoje vivemos uma crise de abordagem dos nomes.

No diálogo do rito de admissão dos Catecúmenos na Iniciação Cristã dos Adultos, o celebrante começa por perguntar: como te chamas? Também no diálogo com os pais e padrinhos no Baptismo das crianças, o celebrante interroga: que nome dais ao vosso(a) filho(a)?

Deram-nos um nome e em nome do Pai, Filho e Espírito Santo foi-nos concedida a dignidade de filhos de Deus, pela água e pelo Espírito Santo.

A água, só por si, não dá a vida, mas a água, transformada por Cristo, salva e dá a vida. Com um autor do séc. II, podemos, com efeito, afirmar: «felizes daqueles que, pondo toda a sua esperança na cruz, desceram à água do Baptismo». Pois é, a fé mergulha no mistério da água que dá a vida.

Neste Ano Litúrgico-Pastoral dedicado ao Baptismo, é uma ocasião feliz para cada um de nós fazer uma peregrinação à pia baptismal onde foi baptizado e de celebrar, na alegria espiritual, o dia do aniversário do Baptismo.

3. Em busca da Paz

O ano inicia com troca de bons desejos. De facto, o primeiro dia de cada ano é uma ocasião, entre nós, para desejar um bom ano com saúde e paz. Em Portugal e Espanha, só desde os finais do século XVI que esta circunstância ocorre no dia 1 de janeiro. Sabemos que até lá o ano iniciava em Março. Por isso, é que por exemplo existe uma relação entre o 25 de dezembro (Natal do Senhor) com o 25 de março (Anunciação do nascimento do Senhor) e a contagem do próprio nome do mês (dezembro – decem “dez”).

Seja como for, hoje, por feliz determinação do Beato Papa Paulo VI, a Igreja celebra na oitava do Natal e primeiro do ano civil, o dia mundial da Paz.

Para hoje, o Papa Francisco escolheu o tema: Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de Paz, e recomenda: «Oferecer a requerentes de asilo, refugiados, migrantes e vítimas de tráfico humano uma possibilidade de encontrar aquela paz que andam à procura, exige uma estratégia que combine quatro ações: acolher, proteger, promover e integrar».

Os 365 dias, as 52 semanas, os 12 meses, as 4 estações que ritmam a nossa vida sejam lugares da busca firme de Paz, a Paz e a Alegria do coração, para uma cultura do Bem Comum na “Casa Comum”, onde todo o ser humano experimente e promova a dignidade singular da Pessoa Humana.

Se o sucesso assenta no dinheiro e no crescimento, gerará a corrupção, a frustração, a depressão e a consequente agressividade. Só o desenvolvimento integral, solidário e sustentável trará a paz aos montes. O Beato Papa Paulo VI, há cinquenta e um anos na encíclica Popolorum progressio, declarou: «o desenvolvimento é o novo nome da paz».

Que naide quede andiferente a las lhágrimas i a las necidades de la bida, de fé i d’amor. L’alegrie de l Natal manifeste la beleza de l ancontro pessoal cun Jasus Cristo, bibido an dinamismo bocacional segundo l qual Dius chama i l ser houmano responde.

Bibir ye Cristo!

Abraço-bos cordialmente por Cristo, cun Cristo i an Cristo,

 

+ Jesé Manuel Cordeiro

Bispo de Bregáncia-Miranda