Comunicação de D. Nuno Almeida na Assembleia da Conferência Episcopal Espanhola - 20.11.2025 | Diocese Bragança-Miranda
Comunicação de D. Nuno Almeida, esta manhã, na Assembleia da Conferência Episcopal Espanhola, Madrid 17 a 21 de novembro 2025
Saúdo fraternalmente, e em nome da Conferência Episcopal Portuguesa, Mons. Luís Argüello Garcia, Digmo Presidente da Conferência Episcopal Espanhola, os Senhores Cardeais, Arcebispos e Bispos. Muito obrigado por este honroso convite!
1.De 10 a 13 de novembro de 2025 decorreu em Fátima a 212.ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP). No inicio dos trabalhos, o Presidente da CEP destacou os tempos desafiantes que se vivem em Portugal, com tensões políticas, desigualdades sociais e erosão da confiança nas instituições, que apelam ao exercício de uma cidadania responsável, à redescoberta da dignidade humana e do valor do bem comum.
Concretamente, o aumento do número de migrantes no país interpela a nossa capacidade de integração e acolhimento. Por isso, reconhecendo a necessidade de uma resposta concertada de todas as realidades eclesiais que trabalham nesta área, realizou-se no dia 15 de novembro um “Fórum Migrações”. O diálogo ecuménico e inter-religioso apresenta-se, também neste âmbito, como caminho de esperança e fraternidade.
Tendo presente o sofrimento causado pelas guerras, conflitos e perseguições por motivos de fé que grassam na Europa e no resto do mundo, a CEP exortou os fiéis a rezar por uma paz “desarmada e desarmante” como convida o Papa Leão XIV. Esteve ainda, na nossa oração, a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP 30) a decorrer na Amazónia, para que os líderes mundiais encontrem consensos na procura de resposta às urgências climáticas, recordando o apelo do Papa Francisco ao cuidado da Casa Comum e à conversão ecológica proposta pela Laudato Si’.
2.No que se refere ao processo sinodal em curso, a Assembleia reforçou a importância de implementar o Documento Final XVI da Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos no seio das comunidades, seguindo as pistas publicadas pela Secretaria Geral do Sínodo para esta fase de receção sinodal, uma vez que é na vida concreta das Igrejas locais que se experimentam novas práticas e estruturas para concretizar as decisões tomadas, envolvendo todos os membros da Igreja, rumo à Assembleia Eclesial de 2028.
Como parte importante deste caminho de escuta do Espírito, da conversão das relações e da corresponsabilidade diferenciada dos batizados, foi reforçada a relevância do II Encontro Sinodal Nacional, agendado para 10 de janeiro de 2026, no qual deverão participar os Bispos, as Equipas Sinodais e outros organismos diocesanos.
3.A Proteção de Menores e Adultos Vulneráveis esteve em análise na Assembleia, nomeadamente no que se refere ao processo de compensações financeiras que está em curso, tendo sido aprovada a fórmula de constituição do fundo solidário para pagamento das compensações: 50% será suportado pela Conferência Episcopal Portuguesa e os restantes 50% serão divididos por todas as Dioceses e Institutos de Vida Consagrada. Este não é um processo jurídico, mas um gesto de solidariedade da Igreja em Portugal que está em comunhão com o sofrimento das vítimas e que se insere no caminho que tem vindo a ser percorrido.
Neste momento, a Comissão de Fixação da Compensação está a analisar livremente os pareceres produzidos pelas Comissões de Instrução (números atualizados em anexo).
Os Bispos Portugueses reafirmaram o seu compromisso de tudo fazer para garantir uma Igreja segura e evitar quaisquer situações de abuso, e renovaram o agradecimento às estruturas nacionais e diocesanas que acolhem e acompanham as vítimas, encaminham adequadamente as denúncias e atuam na formação para a prevenção, proteção e cuidado.
Votos de uma fecunda Assembleia, sob o olhar e proteção de Maria, Mãe da Igreja!
+Nuno Almeida
Bispo de Bragança-Miranda e representante da CEP





